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aranha_estranha

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# 17 [27 Apr 2008|03:24am]
Aranha-macho-quase-vegetariano. Não gosta de morder, não gosta de ser mordido.
A carne, só a quer com peso e medida. Às vezes.
Saio desta teia à procura de outra que me alimente.
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# 16 [04 Jan 2008|04:02am]
Faço-me de mosca e caio na tua teia.
Espero que me envolvas em seda
Espero que me devores com vontade de mais.
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# 15 [31 Mar 2007|11:00am]
Quando vieres vais encontrar-me branca.
O frio dos olhos espalha-se ao resto do corpo.
Eu não sou daqui. E fazes questão de lembrar isso todos os dias. Encontras sempre um corpo para mo dizer.
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#14 [06 Mar 2007|01:01pm]
Da teia, observo a primeira borboleta do ano.
Espero, não vôo. É esta a diferença entre os bichos com asas e os bichos sem asas.
Lembro-me de todos. Um por um. E de todos os outros que passaram ao lado da teia porque a música não lhes agradou.
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# 13 [21 Jan 2007|11:53pm]
Foste o quarto, és o nono. Sempre o primeiro.
E por isso desenrolo o fio de seda que te mantém imóvel, escondo-me no canto e espero.
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# 12 [08 Nov 2006|10:43pm]
Que morras desse amor.
Porque te prefiro morto a amar-te!
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# 11 [15 May 2006|02:41pm]
ah! ah, como me sabe bem ter a verdade nas mãos.
ah! como dói e não dói ver-te, assim, a um canto enquanto te recordas que eu tinha razão.
deixa lá, é mais um macho sem cabeça.
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# 10 [19 Mar 2006|09:11am]
Deves ser surda. Deves ser... só pode.
Diz-me, da frase "mata já.", o que é que não entendes?
Agora, só te resta o fogo e a água. Que te lavem!
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# 9 [04 Feb 2006|02:19am]
mata já. espezinha já.
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# 8 [24 Jan 2006|11:41pm]
Vá, volta a puxar-me para junto de ti, para dentro dos lençóis, e agarra-me para eu não fugir.
Vá, volta a dizer-me que gostas de me ver assim, a ver-nos.
Vá, senta-te à beirinha da cama e volta a dizer-me que estamos bem, nós os dois.

Vá, que eu hoje não vou ser viúva negra nem louva-a-deus.
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# 7 [26 Dec 2005|11:30pm]
Habita-me o corpo com espinhas de peixes exóticos. Habita-me como um aquário e ata-me toda a necessidade de ser azul.
Corta-me os cabelos rente à pele e marca o teu caminho nas minhas costas. Crava bem fundo os teus dedos na minha carne e sua comigo nas noites de inverno.
Protege-me de mim. Não tenhas medo de mim. Não fujas de mim. Não tenhas pena de mim. Não me acordes. Acorda antes de mim.
O silêncio é nosso. A solidão é nossa. Que se fodam os outros peixes que devoras.
Sushi, sushi, sushi.
Enrola-me como sushi, faz de mim sashimi.
Comer-te-ei como wasabi.
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# 6 [21 Dec 2005|08:31pm]
Ama-me assim. Sem ninguém saber. Eu não conto. Eu não conto o teu segredo.
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# 5 [18 Dec 2005|03:52pm]
Sabes tão pouco sobre mim, que te surpreendes cada vez que me movo.
Mas que interessa isso se realmente não te interessas?
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# 4 [07 Dec 2005|08:10pm]
Sim, faço tudo por ti. Mas dá-me a tua voz em troca.
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# 3 [02 Dec 2005|06:06pm]
Estar contigo faz-me tão bem.
Tu, amor, fodes-me tão bem.
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# 2 [30 Nov 2005|10:07pm]
Puxei-me fogo aos cabelos e sentei-me a ver tal espéctaculo. O circo dos meus horrores espelhado no vidro embaciado dos nossos corpos.
O absinto não teve o efeito tão desejado. É pena, mas entretanto rio-me de mim.
Chove sobre nós e as gotas grossas, apagam o incêndio iniciado. Nada é tão bom como me puxares os cabelos depois de eu os ter queimado.
Dói-me o ombro, dói-me a mão de te ter carregado sobre mim. As pernas? Essas estão intactas, porque o flutuar nada influência os pés.
E assim percorro os caminhos e ruas e becos que me levam ao jardim das ervas daninhas, onde te encontro chupando caules de flores azedas como se estivesses à espera do fim de um dia.
Eis então que recordo que os meus cabelos queimados são adubo para este canto e aqueles que me puxaste me doem mais na falta, na carne.
Levantas-te e embacias-me o corpo com o bafo quente e cheiro a cerveja. Já te perguntei porque não bebes vinho, mas tu insistes no silêncio. Chamas por mim baixinho baixinho e procuras a minha carne com os teus dedos calejados. Estás velho para mim. Estás velho por dentro. E no entanto sinto a carne ceder e a voz a arrancar de mim o teu nome que eu esqueci.
Puxas-me os cabelos que restam e debaixo destes novos crescem rapidamente. A cabeleira negra escorre em cascata pelas tuas costas e mordo-te o ombro.
Nada como dois corpos à chuva. Dois animais semelhantes que se odeiam ao ponto de se amarem.
O quadro final é este. Nove meses depois não há nada que conte a estória. E, se houvesse, tenhoa certeza que o afogarias na primeira poça de Outono. E não me custa nem um pouco esta imagem que tiro constantemente da prateleira.
E presisto neste circo de horrores. O mesmo que vejo no teu corpo, o mesmo que vês quando mutilas o meu.
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# 1 [30 Nov 2005|08:49pm]
Espero que esta noite encontres alguém para levar para casa. E quando a tiveres sobre ti lembra-te de mim. Eu vou estar aí, a olhar-te nos olhos com prazer.
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